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Confira abaixo:

Quais são os papéis da mãe e do pai na criação

Quais são os papéis da mãe e do pai na criação

Como já falamos em outros artigos, a mãe é o primeiro vínculo que estabelecemos e isso já acontece dentro do útero dela. Trata-se de um vinculo “visceral”, tanto a mãe como o filho se sentem extensão corporal um do outro. Todas as funções corporais do bebê dependem totalmente da mãe: comer, dormir, tomar banho, etc. A criança só sente mal-estar, mas não discrimina do que se trata. É a mãe que traduz para o filho que é de fome,  de sono ou de alguma doença. O filho/a aprende com a mãe a conhecer seu próprio corpo e vê-lo separado do da mãe. Mas a tendência da função “mãe” é FAZER PELO/A FILHO/A e desta forma os filhos criam uma dependência do fazer da mãe:“mãe!… faz tal coisa para mim?”

Tal dependência do fazer da mãe mantem os filhos dentro da infância emocional (de 0 a 9 anos). Assim vemos filhos adolescentes com comportamento infantis, ou seja, a maturação foi impedida pelo FAZER DA MÂE.

Aqui não se trata que a culpa de tudo seja da mãe, se não que, estender além dos 12 ou 13 anos a FUNÇAO MATERNA DE FAZER PELOS FILHOS produz uma falta de maturidade. É natural que a mãe ao ver os filhos passarem trabalho com as demanda da vida adolescente e adulta queira ajudar FAZENDO por eles o que os filhos deveriam fazer por si mesmos. Para a mãe é um ato de amor. Mas é um amor que impede de crescer!

Ao passo que o pai não é muito voluntarioso em fazer as coisas pelo filho/a e tem uma tendência a deixar de fazer coisas para eles, de comparecer na escola, de “ajudar” com os deveres, de levar no médico, de dar comida para o cachorro do filho, etc. Essa atitude é vista como egoísmo do pai.  “O pai não se preocupa com minhas coisas, só quer saber das coisas dele”, “sempre que preciso dele, ele não tem tempo”, “ele não conversa comigo das minhas coisas, dá pouca importância” e outras reclamações nesse estilo.

Aqui vemos duas atitudes diametralmente diferentes entre mãe e pai. E não se trata de que um deles esteja errado. Cada atitude, tanto da maternidade como da paternidade, são funções instintivas, o ser humano mulher e homem já nascem com esse instinto natural. É o instinto que os filhos precisam de cada um dos pais só que em idades diferentes. A criança pequena não sabe fazer nada pelo próprio cuidado então a mãe cuida dele. O adolescente já sabe cuidar de seu corpo, sabe se conduzir até a escola, sabe falar para pedir o que deseja, etc. Não precisa mais da mãe intermediando essas funções. Na adolescência os filhos tem que APRENDER A SE VIRAR SOZINHOS perante os desafios da vida. Quem ensina a fazer isso é o pai.

O pai não tem vontade de fazer pelos filhos, mas tem vontade para ensinar como fazerem sozinhos. O próprio instinto do pai de não ajudar obriga os filhos a resolverem seus problemas. O instinto da mãe de resolver os problemas dos filhos os torna: infantis, raivosos, irritáveis com facilidade, dependentes, incapazes, envergonhados e sem coragem de falar para resolver seus problemas, medrosos perante o menor desafio da vida, não tem claro o que querem e precisam da ajuda da mãe para escolher, sem muito direcionamento na vida, dentre outras.

Os homens têm posturas mais direcionadas, focadas e com iniciativa (caraterísticas masculina), ao passo que mulheres têm uma visão mais contextualizada, abrangente, sem foco especifico e mais receptivas (caraterísticas feminina). Ambos, homens e mulheres, possuem os dois tipos de características, masculinas e femininas, só que de acordo com o gênero é mais preponderante uma característica que a outra. Desta forma a mãe passa para o/a filho/a as características femininas e o pai as masculinas. Cada tipo de característica nos são uteis em situações diferentes da vida; algumas demandam uma atitude mais masculina, como as situações de trabalho, por exemplo, outras uma atitude mais feminina como situações de relacionamento afetivo. Ficar em falta de uma delas significa andar capenga pela vida.

Quando os pais estão separados

“Como o pai e a mãe competem pela afeição do filho/a, não se pode ter uma imagem fiel do pai através dos olhos da mãe. Algumas mães procuram mostrar  as relações no mundo, e está permeada pelos sentimentos que são uma extensão da relação mãe-filho/a, ao passo que o pai representa o que é racional, rígido, voltado pro dinheiro e até brutal. “Seu pai sempre vai ser assim! Não tem jeito!”. Por tanto o filho cresce com uma imagem maltratada do pai, não necessariamente provada pelos atos ou palavras dele, mas baseada na observação que a mãe faz dessas palavras e atos.” 

(Robert Bly “Joao de Ferro – Um livro sobre os homens”)

A mãe é quem estabelece para o filho a primeira conexão com os sentimentos: “você está triste, meu filho?” então o filho/a aprende que tal sensação é tristeza. Desta forma a mãe vai ensinando o que é raiva, medo, alegria, etc. ao descrever para o filho o que ele está sentindo. Dessa forma o/a filho/a aprende uma visão feminina do que são sentimentos que ao mesmo tempo encerra uma visão negativa do pai: aquele que não tem sentimentos, que não tem compaixão, “teu pai não entende dessas coisas”.

Desta forma o filho/a aprende e adota uma visão feminina sobre o pai e o que é a masculinidade. Ao passo que se afasta do pai, pois ele simboliza algo que é amedrontador e não desejável para o filho. O pai simboliza dificuldades ao passo que a mãe as facilidades (ela facilita a vida). Se o filho vai para a vida com esta postura, ele acredita que tem direito ao que deseja, que “alguém” tem que lhe fornecer o que deseja (como a mãe o fazia); pensa que a vida é injusta com ele; e em consequência lhe falta atitude (masculina) perante a vida para conseguir o que quer da vida, espera que a vida lhe dê e não se torna um produtor e um fornecedor, ele/a é apenas um consumidor do que “alguém” tem que lhe dar.

Quando os pais estão brigados esta situação se agrava, pois os filhos geralmente escutam as desvalorizações do pai e do masculino como sendo algo não desejável. Então geralmente os filhos adotam uma postura “eu nunca vou ser como meu pai”. Esta postura os impede de absorver na personalidade as características do pai que lhe serviriam para lidar de forma mais assertiva na vida. Os filhos se sentem impotentes perante diferentes situações de vida. Falta-lhes decisão e atitude. Tornam-se fracos.

Mas ainda escutaremos algumas mães dizerem: “melhor que não absorvam nada do pai, pois o pai é um fracassado, nunca ajudou em nada, ele sempre viveu para ele mesmo”. Como dizemos antes essa é uma visão feminina do pai e do masculino. O pai não deve ajudar na forma como a mãe o faz. O pai que ajuda é aquele que ensina o filho/a a achar as próprias soluções para suas necessidades ou dificuldades na vida. Pai é aquele que ensina a pescar, mas nunca dá o peixe. E o jeito que o pai ensina não é como a mãe o faria!! O que a mãe chama de atitude egoísta ensina o/a filho/a a ser autônomo, autossuficiente, independente. Essa autonomia o ajuda a sair da dependência da mãe, o torna adulto. Mas sabemos que muitas mães não querem, consciente ou inconscientemente, que o filho se independize dela, e dizem: “teu pai não te ajuda em nada, eu vou fazer isso no lugar dele”. Desta forma o prendem na “saia da mãe” tirando-lhes a independência que poderiam conquistar ao resolver seus próprios problemas de vida.

A forma como o pai se relaciona com o/a filho/a pode parecer aos olhos da mãe rude, sem compaixão, sem sentimentos, racional demais, focado no dinheiro ou na conquista de um objetivo deixando algumas coisas não prioritárias de lado, dentre outras características. Mas é esse jeito que propicia ao filho/a a lidar de forma mais assertiva com sua vida, suas decisões, vencer obstáculos com suas forças e habilidades, a ter firmeza e responsabilidade. Assumir os próprios erros e acertos e se levantar sozinho quando cair na vida. O pai faz tudo isso com amor, amor de homem, amor masculino. O pai olha pros seus filhos, mas não intervém, apoia, mas não faz por eles. Cuida e protege quando é necessário. E faz tudo isso com amor. O amor esta no ato em si, pois ensinar como a vida funciona fora de casa é trabalhoso e não tem compensação própria, a não ser o orgulho de ver o filho conseguir conquistar seus objetivos de vida sozinho, sem precisar dos pais.

Quando uma mãe impede ou interfere neste trabalho do pai está condenando o/a filho/a a que a vida ensine de forma muito mais dura e sem compaixão à frustração e ao fracasso como adulto.
O mundo fora da casa da mãe se parece muito mais com o jeito do pai! 

Autor: Alejandro Ramón Allochi – Psicólogo – CRP12-6310

 

Depressão

Depressão 

A depressão está relacionada com a morte, é uma forma de morte, de se desconectar da vida, é uma perda. Ora é uma perda das pessoas queridas; ora é uma perda dos outros, que não nos pertence, mas carregamos; ora é uma perda de nós mesmos.

Assim, quando olhamos para uma depressão investigamos 4 causas possíveis:

  1. Perdas: 

Alguém próximo morreu e a depressão é parte de um processo de luto, de se desapegar das lembranças e da falta que a pessoa faz na vida presente do paciente. Podemos incluir dentro das perdas as separações.

  1. Vínculo deficiente com a mãe: 

A mãe não foi presente durante a infância do paciente.

  • Mãe que abandonou com parentes, mesmo que de tempos em tempos aparecesse, a criança se sente abandonada. Outras mães dão seus filhos em adoção, ou deixam num orfanato. Muitas crianças adotadas que não sabem deste fato sofrem do mesmo jeito de depressão. Há uma lembrança que está inconsciente da separação da mãe, e isso provoca um luto permanente que é a depressão.
  • Pessoas que estão brigadas com a mãe e tentam romper o vínculo com ela, sejam qual forem os motivos, isso também provoca depressão.

A mãe é quem nos dá a vida, é a que nos traz ao mundo. Negar a mãe significa negar essa conexão com o mundo. E a falta de interesse pelas coisas do mundo, é depressão.

A forma como nos vinculamos com a nossa mãe é a forma como nos conectamos com a vida.

  1. Depressão sistêmica ou familiar: 

Herdada ou passada de uma geração para outra da família.

  • Um filho vê a mãe (ou o pai) com depressão e tenta tirá-la desse estado. Pela afeição que tem por ela coloca seus esforços de criança a serviço da depressão da mãe. Só que seus esforços não têm resultados. Tem dificuldades em deixar sua mãe com seu sofrimento e continuar sua vida e escolhe sofrer, junto com mãe, a depressão.
  • Nos casos em que irmãos foram abortados e não foi revelado para o outro filho, este último sofre o luto de forma inconsciente como uma depressão.
  • Outra situação de depressão sistêmica se dá quando um antecessor (avós, bisavós, tataravós, etc.) cometeu um ou vários assassinatos. Era comum, anos atrás brigas por terras, participar de guerras ou qualquer briga ser resolvida matando. Os descendentes “carregam essas mortes nas costas” na forma de depressão, luto pelos mortos que o ancestral matou e não “carregou” a responsabilidade pelas consequências.
  1. Depressão propriamente dita: 

É a depressão produzida pelo Orgulho Falido.

Orgulho é aquele pensamento recorrente de que “TUDO TEM QUE SER COMO EU QUERO”. Orgulho é se negar a viver a vida porque sempre há algo que não está certo (como EU penso que tem que ser). São pessoas pessimistas, pois para se negar a viver sempre encontram um defeito. Eles falam: “NÃO É QUE SOU PESSIMISTA, SOU REALISTA”.

Tentam em vão se sobrepor ao desânimo, que eles mesmos provocam com seu pessimismo, mas não conseguem porque não acreditam mais que alguma coisa vai dar certo para eles. Tentam com orgulho, achando que sua tentativa é perfeita, com prepotência querendo impor sua vontade, mas o mundo que os cerca é o imperfeito e não responde as suas demandas.

Ficam irados, cheios de raiva pelo seu fracasso, ou pela não concordância das pessoas ou situações com as quais convivem. Se sentem injustiçados. Pensam que os outros são menos inteligentes, incompetentes, se irritam e ferem com palavras que atingem a autoestima do outro. São eles que estão com baixa estima e projetam suas frustrações nas outras pessoas e situações.

Desta forma eles dizem NÃO PARA A VIDA. Negam qualquer tipo de ajuda. Nada serve para tirá-los do fundo do poço. Eles não querem. Aos poucos eles vão perdendo todo o interesse pela vida, suas forças se recolhem para dentro de si e ficam prostrados, mortos em vida. O pensamento que se segue é que é preferível morrer que viver assim. 

As terapias neste caso tentam, sem resultado algum, animar a pessoa, indicam movimentação do corpo para gerar hormônios que gerem sensação de prazer, o que eles já perderam há muito tempo.

O deprimido tem que sair sozinho, com suas próprias forças. Ninguém pode tirá-lo ou convencê-lo a sair desse “poço”.

Para sair tem que começar a enxergar o mundo de outra forma, onde sua vontade não prevalece. Se perceber nas situações em que é arrogante e se irrita porque as coisas não são de seu jeito. Mesmo que tenha razão, está errado. Esta razão do deprimido é baseada num olhar egoísta das situações e das pessoas. Esta razão egoísta é o cerne da depressão. A razão centrada no ego é a causa da depressão. Achar que sabe tudo, que está certo em tudo, que sempre tem a melhor resposta. É uma alienação narcisista. E narciso está desconectado do mundo, vive apenas para si. No paciente deprimido este Narciso faliu, não deu certo em viver centrado em si mesmo. O contraste com o mundo externo mostra para ele sua falência.

Só resta uma saída: deixar a si mesmo de lado e ser útil ao mundo. Perceber-se nas situações em que é egoísta, orgulhoso e vaidoso e dar marcha ré nessa forma de pensar que gera tanta raiva, desilusão, tristeza, impotência, rigidez, pessimismo, negação, desinteresse pela vida. Aprender a pensar diferente, pensar com otimismo e servir aos outros sem restrições ou condições (egoístas) impostas. Servir com alegria, com humildade (sem se achar superior), vendo o outro como igual. É um caminho longo e de esforço pessoal interior. Ninguém consegue ajudar o deprimido a pensar diferente, apenas ele pode fazer isso.

Autor: Alejandro Ramón Allochi – Psicólogo – CRP12-6310

 

Fidelidade vs Relacionamento Aberto

Fidelidade vs Relacionamento Aberto

Quando se está numa relação, se pertence à relação 

O estado de pertencimento à relação é uma condição das relações sociais: pertencer a uma família, a uma comunidade, a um país, a um grupo de amigos, ao grupo de trabalho, etc. E esse pertencer está condicionado pelos comportamentos que se têm. Os comportamentos determinam se pertence ou não ao grupo. Esses comportamentos estão além da moral, por exemplo, se se pertence a um grupo de ladrões, roubar faz parte de pertencer ao grupo. Se você está num grupo de pessoas honestas, ser honesto é uma condição para pertencer a esse grupo.

Pertencer a uma relação conjugal é diferente de pertencer a uma pessoa. A pessoa não é seu dono ou dona. O que faz pertencer a uma relação são as atitudes. Estas atitudes condicionam como vai ser minha relação com essa pessoa. Dessa forma meus atos pertencem à relação. O que se faz na relação, seja para melhorar ou para prejudicar nos atinge, pois o outro está vinculado a mim também através dos meus atos que condicionam os dele. Por exemplo, se eu faço o outro se sentir feliz, essa felicidade retorna nos comportamentos do outro para comigo. Se faço o outro sofrer, seu sofrimento me atinge na qualidade de como ele se relacionará comigo.

O que faz com que o vínculo se torne mais forte são os comportamentos que geram efeitos cognitivos e emocionais no casal. Pensemos o vínculo como se fosse uma corda que une o casal. As cordas são compostas por muitos fios. Pensemos que cada fio é um comportamento que se faz pela relação. Não é fazer pelo parceiro, é fazer pela relação. Fazer coisas que gerem sentimentos e pensamentos bons fortalece essa corda que nos une. Atitudes que gerem sentimentos e pensamentos ruins arrebentam os fios que nos unem.

Quando se está numa relação conjugal as normas de funcionamento da relação são as que condicionam o pertencer ou não a relação. Determinar as normas que aumentam o vínculo é o ideal para que a relação nos traga estados de felicidade, segurança, companheirismo, confiança, etc.

Relacionamento aberto

Normas de funcionamento não quer dizer apenas conveniar coisas de forma racional e achar que isso vai funcionar. Por exemplo pode se conveniar ter uma relação aberta, o que dá abertura para ambos se relacionar com outras pessoas. Algumas pessoas acham isso possível e até psicólogos fazem apologia a esse tipo de relacionamento. É possível no nível racional, mas não é possível no nível emocional. As consequências emocionais disso são inevitáveis. As pessoas sentem traição, sentem dor quando o/a parceiro/a está se relacionando com uma terceira pessoa. Sente ciúme, pois o ciúme vem do sentimento de pertencimentoPor mais que ela também esteja saindo com outras pessoas, isso não tira o sentimento de que o outro não está pertencendo a relação.

O corpo de cada parceiro pertence à relação, não pertence ao parceiro. O comportamento que se tem com esse corpo condiciona o vínculo. O vínculo de relações abertas é um vínculo muito instável. O vínculo de relações fechadas, onde o corpo pertence à relação, são vínculos mais profundos, mais duradouros, de mais cumplicidade, mais compromisso de um com o outro, de se ajudar e colaborar, etc.

Pertencer a uma relação significa que o homem faz a mulher se sentir sua, que não está solta. E a mulher faz o homem sentir que ela é apenas dele. Isso se faz não só com palavras senão com atitudes de pertencimento. Uma delas é o corpo pertencer a relação, que é a parte física.  Também com a parte emocional de se sentir realmente daquela pessoa e se pensar apenas com ela. Isso torna a relação muito, muito profunda. A simples vista pode parecer difícil chegar a esse nível de relacionamento, mas é o investimento de ambos na relação que faz com que isso aconteça naturalmente a médio prazo (2 anos em média). Investindo na relação com atos que fortaleçam o vínculo e modificando aqueles que o deterioram (que arrebentam os fios da corda).

Fidelidade

Quando os corpos pertencem realmente a relação, o vínculo é muito profundo e não se deseja ter outra pessoa fisicamente já que o que se sente com o parceiro supera qualquer outra relação, pois é fruto dos anos de se vincular mais e mais profundamente. Isso faz com que os parceiros não desejem ter outra pessoa fora da relação. A fidelidade passa a ser uma consequência, um desejo. Já não é uma proibição, uma restrição ou uma imposição como muitas pessoas vivem essa fidelidade. É uma condição para que o vínculo seja mais profundo e estável. Isso vai afastando o desejo de estar com outras pessoas, pois o vínculo profundo faz com que as relações sexuais com o/a parceiro/a sejam muito mais intensas, mais prazerosas que qualquer relação casual onde o vínculo ainda não se estabeleceu.

Quando se preserva o corpo de terceiras pessoas, se está fazendo isso pela relação. Quando se abre para outros envolvimentos, a dor que sente o parceiro arrebenta esses fios que nos vinculam ao parceiro e a relação perde valor, o parceiro já não quer mais investir na relação. A relação se torna menos forte e instável.

Porque não consigo ter uma relação duradoura?

Na busca da liberdade e de “conhecer outras pessoas”, a falta de limites, limita os relacionamentos. Se a pessoa não tem limites enquanto a se envolver com outras pessoas, ela está condicionando o nível de envolvimento que vai ter com os/as parceiros/as.

A falta de limite, limita o vínculo. Se estabelecem vínculos superficiais e fracos, fáceis de romper. É o que faz as pessoas se sentirem “usadas”, que não há afetividade. Mas é uma condição que a pessoa mesma se impõe quando ela tem essa abertura para vários parceiros ou parceiras. Esse se colocar a disposição de vários parceiros condiciona essa falta de profundidade nos relacionamentos. Sente falta de parceiros que aprofundem na relação porque a pessoa não está aprofundando, ela se dá muita liberdade e não concentra, não foca numa relação só.

 

Autor: Alejandro Ramón Allochi – Psicólogo – CRP12-6310

 

Pânico, ansiedade, crise de ansiedade

O pânico está ligado ao medo da morte, medo de morrer. A morte é uma morte do corpo físico por isso as reações desse medo se manifestam no corpo: taquicardia, suor frio, suor nas mãos, tremor na musculatura, dentre outros. E essas sensações são interpretadas como a proximidade da morte. A pessoa fica com a atenção focada nas sensações corporais o que aumenta as sensações e o medo decorrente delas. O pânico é uma sensação iminente de morte, como se algo o tomasse de repente de forma imprevisível e incontrolável.

Causas:

  1. Falta de relação ou relação fraca com o pai.Não entende o pai e o rejeita. Isso gera medo da vida. Medo dos desafios da vida. Incapacidade de resolver as dificuldades que oferece a vida. Não dá conta. Falta de auto confiança. Isso gera ansiedade constante, crises de ansiedade que podem chegar a pânico e até paralisia, não querer sair de casa, não ir para a rua. A rua significa a vida fora do lar, isto é o trabalho, a profissão. O pai é quem nos introduz a vida fora de casa. Ele nos ensina a lidar com as situações de trabalho, profissão, amizades, namoros. O pai é mais racional e menos emocional, nos trata com menos condescendência, com mais rudeza. A vida fora de casa é mais prática e tem que ser resolvida de forma prática. Quando colocamos emoção, nos perdemos na solução e criamos conflitos para nós mesmos. Podemos ficar com raiva, magoados, com medo e desta forma não resolvemos os desafios. O pai é o racional, até parece frio, e isso faz com que alguns rejeitem essa relação e não se vinculem com o pai de forma de aprender a lidar os desafios da vida. Querem encarar os desafios como resolvem sua situação com a mãe, de forma afetiva. O pai pode ser rude, mas a vida é muito mais. O pai pode agir de forma rude, mas ainda ele exerce proteção sobre o filho/a. a forma como o pai expressa seu amor é prepara-lo para a rudeza da vida, é uma forma de proteção ensinar os filhos a ser autossuficientes e assim auto confiantes.
  1. A mãe tem medo da vida e superprotege o filho. Desta forma a mãe repassa seus medos ao filho. O filho evita o contato com a vida fora de casa, estudos, trabalho, amizades, academia, etc. Está sempre ansioso e com crises mais agudas de medo. Fica dentro de casa, o único lugar seguro para ele. Desenvolve fobia social.
  1. Alguém próximo morreu e o paciente não consegue se desligar, desapegar do falecido, não aceita a morte. A pessoa fica “ruminando” a morte da pessoa querida e não se desliga do ente querido, ele permanece presente na sua mente, morto, mas presente.

Caso: um pai 5 anos após da morte do filho apresentou sintomas de pânico. O filho pediu pro pai permissão para ir na pista de skate com os amigos de noite. A mãe não permitia o filho sair depois de certa hora, mas o pai permitiu. Foi quando o filho foi assassinado. O pai se sentia culpado por ter permitido sair de casa mais tarde, e a mãe reforçava essa culpa. Desta forma o pai não conseguia se livrar da culpa, entender que nada poderia fazer para mudar o destino já acontecido. A culpa mantinha o pensamento na morte do filho e após 5 anos começou a sentir no seu corpo sensações de morte, isto é os sintomas de pânico.

  1. Raiva de si mesmo. Essa raiva por não se aceitar, se achar errado, se culpar, não se sentir merecedor de coisas boas e por conta disso se sabota, comete ações impulsivas e inconscientes contra si, más escolhas. Tem medo de si mesmo, da auto sabotagem, do mal que faz consigo mesmo de forma inconsciente e não pode controlar. Não pode controlar a raiva de si que é inconsciente e aparece como autopunição, desmerecimento das coisas boas da vida. Isso dá a sensação que a qualquer momento vai acontecer algo errado consigo. Medo, pânico de seu inconsciente que o pune.

Interpreta as coisas “erradas” que acontecem consigo como punições da vida pelos “erros” que cometeu. Não se perdoa. É orgulhoso demais e não aceita ter cometido “erros”, não se permite errar. Não vê os erros como aprendizado, como uma tentativa de acerto.

Autor: Alejandro Ramón Allochi – Psicólogo – CRP12-6310

 

Me sinto diferente de minha família

Me sinto diferente de minha família

Exclusão

Vamos falar de sistemas, ou melhor, de grupos dentro dos quais os indivíduos ou pessoas, fazem parte. O primeiro grupo ao qual pertencemos é a família, depois aos colegas de aula, ao grupo de nossos primeiros amigos. Mas tarde, ao grupo de trabalho, à empresa ou instituição na qual trabalhamos. Também pertencemos ao grupo do bairro, da cidade fazendo parte destes grupos, carregando a ideologia, a moral e os costumes destes grupos.  Acreditamos que carregando este conjunto de crenças nos faz pertencer ao grupo. Estas crenças fazem parte de nossa identidade e as sentimos como parte de nós. É mais fácil compactuar com essas crenças que questioná-las. Ser dissidente dessas ideologias, moral e costumes pode nos custar a exclusão do grupo. Ser mal visto pelo resto. Mas ninguém consegue sobreviver isolado de qualquer grupo. Se for dissidente terá que se associar a outro grupo que se assemelhe em ideologia, moral e costumes, ou ao menos adaptar-se ao novo grupo para poder vivenciar uma parte de seus ideais diferentes do grupo de origem.

Exclusão familiar

exclusão da família, o primeiro grupo ao que pertencemos, é o que mais marca nossa personalidade. E muitas vezes pessoas vivem sua vida em função dessa exclusão, sendo refém de forma inconsciente, dessa exclusão, tentando reivindicar sua ideologia, moral e costumes novos dentro de outros grupos em lugar de tentar se incluir de uma forma diferente no seu grupo familiar.
Exemplos de exclusão familiar:
• homossexualidade não aceita pela família;
• filho abandonado se sente não aceito pela família;
• alcoólatras são excluídos das famílias;
• mulheres abusadas são excluídas das famílias;
• homens que traem as esposas são excluídos pelos filhos e família da esposa;
• homens aos quais as esposas lhes nega sexo e acesso aos filhos se sentem excluídos, pois só servem como provedores e não como marido e pai;
• assassinos e outros tipos de delinquência são excluídos das famílias;
• suicidas são excluídos das famílias;
• filhos abortados, nascidos mortos ou que morreram cedo são esquecidos e por tanto excluídos da memória da família.
• Dentre outros tantos.
As famílias, às vezes, nem tocam no nome da pessoa, como se falar nesse membro da família fosse trazer algo de ruim para a família. Eles não são incluídos nas decisões ou eventos familiares. Às vezes os familiares nem olham nos olhos deles, os ignoram por completo.
Outras vezes o próprio membro se exclui do grupo por não compactuar com a ideologia, moral e costumes familiares. A pessoa quer viver uma vida com valores diferentes da família. É o caso de famílias de criminosos (aqui se incluem todo tipo de crimes, até de colarinho branco), ou famílias onde são permitidos abusos sexuais (abuso dos menores, traições sexuais tidas como normais, etc.), etc. Ou o contrario, o individuo quer ser criminoso apesar de ter nascido dentro de uma família onde isso não é bem visto. E assim por diante.
Em ambos os casos, os excluídos, procuram outros grupos de referência com os quais possam compartilhar sua ideologia, moral e costumes (crenças). Aferram-se fortemente a suas próprias crenças pessoais, pois fazem parte de sua personalidade e delas depende a sua sobrevivência. Já que dentro do grupo de origem não puderam sobreviver devem achar outro grupo ao qual pertencer, o qual os entenda e agregue outras ideias e costumes necessários para a sobrevivência fora do grupo familiar.

Exclusão social

Outro tipo de exclusão é a exclusão social. Pessoas que não têm o acesso às necessidades básicas (moradia, comida, saúde, instrução, trabalho) restritas pela condição financeira, social ou etnia. Neste grupo estão:
• “pobres”(pessoas com subemprego);
• desempregadas (trabalhadores rurais ou industriais em épocas de recessão);
• “negros”, índios, mulatos (ou qualquer outra cor de pele);
• nascidos em regiões de menos infraestrutura (estados (nordestinos) ou países (sul-americanos, africanos, asiáticos) etc.);
• estrangeiros (de outros países, estados, cidades);
• doentes (aidéticos, etc.)
• deficientes físicos (motor, auditivo, visual); deficientes mentais ou com problemas psiquiátricos (esquizofrenia, retardamento mental, deficiências cognitivas, síndromes com deficiência, etc.).
• os idosos.

Dinâmica do grupo na exclusão

Apesar das diferenças, todos pertencemos ás famílias de origem, á cidade, ao estado, ao pais onde moramos, e em última instância, ao mesmo planeta, e somos OBRIGADOS a conviver com essas diferenças. Por tanto não adianta ser excluído ou auto-excluir-se, mesmo assim pertencemos. 
Os excluídos, apesar de todo, continuam a pertencer e incomodam as consciências do grupo, por isso o grupo não quer olhar para os excluído, para não se sentir incomodados no seu íntimo. As crenças que geram a exclusão criam uma tensão psicológica interna nos indivíduos e no grupo que pratica essa exclusão.  As crenças criam uma falsa sensação de se ver livre do diferente, sejam indivíduos ou grupo de indivíduos.
Muitas vezes alguns familiares se associam inconscientemente com o excluído, repetindo o papel que aquele representava para a família e que o levou a exclusão, como uma forma de reivindicar o lugar daquele. Como exemplos podemos citar: casos em que o avô foi excluído por alcoolismo e o neto é viciado em drogas; pessoas deprimidas que carregam o luto de quem morreu e foi esquecido, como é o caso de abortos e crianças que morreram cedo e que a família não quer lembrar como forma de evitar a dor da perda.
Tanto para a exclusão familiar e a social só existe uma saída: a inclusão. Trazer de volta ao grupo os excluídos, incluí-los. Caso contrário seu lugar continuará a ser reivindicado geração após geração.
Onde se deve ser incluído? Os excluídos sempre tem vez dentro do contexto do qual foram excluídos.

Indivíduos excluídos

Uma situação comum é que o excluído tente reivindicar seu lugar num grupo que não é onde se originou a exclusão. Os participantes deste último grupo não entendem as reivindicações e o tratam como “louco” ou irracional nas reivindicações.
Exemplo são:
• Filhos adotados que fazem reivindicações aos pais adotivos que não lhes negaram compreensão e afeto. Eles levam as acusações que tem dos pais biológicos a os pais adotivos, que nada tem a ver o com o abandono.
• Outro caso comum é o parceiro no relacionamento conjugal reclamar de algo que os próprios pais negaram. O parceiro, por mais que se esforce nunca satisfaz a falta que os pais deixaram.
• Muitas reclamações na sociedade apesar de serem atendidas, não são suficientes para algumas pessoas; é que mesmo atendidos pela sociedade, ainda permanecem excluídos de suas famílias. Aqui também pertencem os que se auto excluem dos grupos familiares e que procuram na sociedade a inclusão. Nestes casos eles se vêm excluídos pela sociedade. Projetam na sociedade a discordância com as ideologia, moral e costumes familiares. Desta forma também não concordam de modo geral com a sociedade.

Grupo de excluídos

Podemos falar dos movimentos sociais e de grandes grupos de excluídos. Todos têm a vez de serem considerados na sua ideologia, moral e costumes sem discriminação e de serem aceitos num grupo maior, até em nível planetário. Judeus, árabes, asiáticos, são exemplos de grupos excluídos e que estão tendo um lugar dentro da sociedade mundial. Outros grupos são aqueles que são excluídos dentro de um país (“pobres”, desempregados, GLS, outras etnias, nascidos em regiões de menos infraestrutura, estrangeiros, doentes, deficientes).
Onde há diferenças marcantes entre grupos e não há espaço para a convivência se criam tensões que muitas vezes levam a violência como forma de aniquilação de outro grupo. Esse tipo de exclusão é temporário. Mais tarde deverá ser dada a oportunidade ao grupo excluído.
Exemplo disso foi o ocorrido na América latina nos anos ’70 como consequência da grande divisão mundial do pós-guerra, isto é comunismo vs capitalismo, ou totalitarismo de esquerda vc “democracia” de direita. Se estabeleceu a nível mundial uma guerra entre essas duas ideologias (com sua moral e costumes particulares). Na América latina se estabeleceu a chamada “revolução armada”, associada ao eixo comunista, como forma de impor nos países de América latina o regime comunista. Como reação, o lado capitalista, se associou com as forças armadas de cada país para combater essa “revolução armada”. Cidadãos destes países latino-americanos, que pertenciam a grupos de ideologia comunista, foram perseguidos e mortos como formas de exterminar esse grupo nos países latino-americanos. No final dos anos ’90 e começo de século XXI os mesmos que foram excluídos assumiram os governos nos países latino americanos, mas desta vez de forma democrática, sem luta armada.
Isto mostra que todos terão sua vez desde que ambas as partes cedam na sua ideologia e possibilitem a convivência. Os comunistas de outrora cederam na luta armada e foram aceitos no poder num regime democrático.
Por sua parte estes, outrora comunistas, assumiram os governos com o compromisso de inclusão social, como excluídos que eles foram. E realmente cumpriram em grande medida seu objetivo, aproximando os diferentes grupos da sociedade e reforçando o sentimento de solidariedade entre todos os que pertencem à mesma sociedade. A solidariedade é um dos sentimentos da inclusão. O sentimento de igualdade, de que somos todos igualmente vulneráveis e que precisamos um dos outros, independente do grupo qual pertencemos. 
Estes governos, chamados populistas, representaram os excluídos e deles levaram seus votos.

Porquê os simpatizantes dos governos populistas são vistos como irracionais?

Como dissemos antes, muitos excluídos de seus grupos familiares buscam outros grupos que os representem, e reivindicam na sociedade aquilo que deveriam fazê-lo dentro de suas famílias. Motivo pelo qual se sentem constantemente injustiçados e são vistos como irracionais. O irracional é buscar a inclusão fora de casa, de onde se originou o verdadeiro sentimento de exclusão. 
Do nosso primeiro grupo ao qual pertencemos, nossa família de origem, é que vem o sentimento de exclusão e é lá que devemos nos resolver. Alias, é muito mais fácil nos sentir aceitos na nossa família que numa grupo muito maior como é um país.
É no âmbito de nossa família de origem que devemos resolver:
• Se fomos rejeitados pelos nossos familiares, ou se rejeitamos nossa família por termos ideais ou comportamentos diferentes das crenças familiares.
• Se representamos algum parente que foi excluído e reivindicamos no nosso comportamento a inclusão de tal.
• Se nossa família se sente excluída por pertencer a algum grupo de exclusão (“pobres”, desempregados, delinquentes, outras etnias, nascidos em regiões de menos infraestrutura, estrangeiros, etc.) e como fidelidade a eles defendemos esse sentimento de exclusão e o reivindicamos socialmente, mesmo que as condições de nossa família, ou a nossa própria tenha melhorado.

Estas são algumas das possibilidades que devemos avaliar antes de nos sentirmos injustiçados socialmente ou vestir uma ideologia de forma irracional e reincidir na exclusão de quem não concorda conosco.

Autor: Alejandro Ramón Allochi – Psicólogo – CRP12-6310

 

Gravidez e Saúde

Gravidez e Saúde

A gravidez é um momento mágico e ao mesmo tempo conturbado na vida de uma mulher. Juntamente com a alegria da espera de um filho, surgem mudanças anatômicas e fisiológicas, com sintomas físicos e emocionais que precisam ser entendidos e acompanhados.

Dor lombar, nas mamas e em baixo ventre são sintomas comuns, assim como o ganho de peso e até falta de ar. Identificar o que é fisiológico do que pode ser patológico é função do pré-natalista.

Explicar, acalmar, esclarecer anseios e dúvidas (geralmente muitas), é tão importante quanto realizar exames e medidas, porque rir, chorar, ter medo, vibrar são sentimentos que ocorrem durante toda a gestação, e às vezes, todos no mesmo dia!

Realizar os exames de rotina durante todo o pré-natal e fazer o acompanhamento adequado é fundamental para uma boa evolução de gestação. Os médicos ginecologistas e obstetras da Pró-saúde têm a maior alegria e disposição em prestar esse acompanhamento às gestantes, assim como toda a equipe da clínica, desde que marca os exames até quem realiza os mesmos.

Autora: Drª Mariana Cheuiche Chaves

 

 

 

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